2. A ponte

Cap2

 

Naquela noite eu havia decidido dar um fim naquele sofrimento. Eu não era religioso ou qualquer coisa desse tipo, então não temia as maldições eternas.

Naquela hora, o vento cortante do inverno adormecia qualquer pele exposta. Mas eu, ali, sentado no alto da ponte olhava para o oceano congelante à minha frente. Eu estava crente que não doeria nada. Estava crente que ninguém sentiria minha falta. Não havia ninguém na minha vida.

Meus pais há muito se foram num acidente de trem junto com mais de 250 pessoas.

E Erick. Erick com certeza ficaria triste. Mas só. Ele talvez derramasse uma ou duas lágrimas quando encontrassem o meu corpo sem vida pela manhã, ou em uma das manhãs que se seguissem.

A luz da lua avançava por entre as nuvens densas e chegava até mim. Seu brilho perolado me lembrava justamente das pérolas que a minha mãe usava pela última vez que a vi. Meus pais iriam buscar minha avó na casa dela. E na ida, o trem sofreu um acidente, descarrilando.

Pessoas morrem.

Todos morrem.

Eu já estava morto.

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