3. A dama de branco

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— Você não deveria estar aqui.

Aquela voz. Parecia uma daquelas orquestras cada vez mais raras hoje em dia. Eu fechei meus olhos, jurando para mim mesmo que estava ficando louco.

Louco.

Como podemos definir o que é a loucura? Um homem apaixonado é taxado de louco. Uma mulher que deseja ser professora pode ser rotulada de louca por muitos. Louco seria o que a sociedade vê como fora dos padrões de comportamentos? E quem dita essa padronização supostamente correta? Porque o correto é correto? E se o correto fosse incorreto?

Mas talvez eu estivesse mesmo louco.

— Você não deveria estar aqui. – repetiu, dessa vez mais autoritária.

— Eu não deveria ter feito muitas coisas…

— Arrependimento… Essa é nova.

Eu me virei. A cólera exalando dos meus poros.

Seus longos cabelos negros voavam com o vento gélido, emoldurando seu rosto delicado. A neblina da noite começava a adensar, e sua pele cor de porcelana facilmente se misturava nela. Seus olhos verdes não mostravam expressão alguma, apesar de seus delicados lábios rosados se crisparem num sorriso zombeteiro. Seu longo vestido branco meneava no vento frio.

— Porque não descemos dessa ponte e conversamos?

— Quem é você? Mais uma ilusão da minha mente? Eu sabia que estava ficando louco…

— Mais uma? Então você já teve ilusões antes?

— Isso está implícito, não é? – perguntei.

— Você é muito mal educado.

Por alguns instantes eu não soube o que fazer. Ela sentou-se do meu lado e segurou minha mão. Sua pele branca era quente, apesar do vento frio.

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